05/03/2017

O Principal Problema das Coisas Voltadas para o Público Feminino


Olá, pessoas!
Como vão queridos do meu coração?
Entrando nesse mês de março, considerado o Mês da Mulher (no mínimo aqui no Brasil), que tal falarmos de um assunto de tom mais sério e extremamente importante?
Essa postagem é para seres humanos do sexo feminino bem como para os de sexo masculino, então nada de sexismo só porque é relacionado ao público feminino, okay!?

Clique em “leia mais” para entender.


Assim..eu fiquei com uma implicância em relação do título do post. Não sei se notaram, mas fica implícito que homens não gostam de romance/coisas fofas/etc. Isto de voltado para público feminino ou voltado para público masculino é extremamente sexista, pois não levam em conta questões biológicas que diferenciam machos e fêmeas [passe o mouse para ler os exemplos. Segundo exemplo, não recomendado para menores de 15 anos de idade!! Fique por sua conta e risco] >> (absorvente menstruais é voltado para o público feminino; pois só mulheres, biologicamente¹, menstruam ou medicamentos para problema de ejaculação precoce é voltado para o público masculino; pois só homens, biologicamente¹, ejaculam) << ; mas sim imposições de gênero. Apesar desse meu conflito interno, precisava de um título que vocês entendessem o geral da postagem e, como muitas pessoas não têm o conceito de antissexismo absorvido, utilizei o termo voltado para o público feminino.

Após essa breve explicação, vamos ao assunto principal.

Parem de ensinar às garotas que garotos são ruins com elas, porque gostam delas.

Você, garota, já se perguntou o porquê de às vezes se sentir incomodada com as heroínas de diversos conteúdos classificados como shoujo? Como que elas na maioria das vezes são tão sem atitude, que parece uma boneca que só diz “sim, senhor”? Como que elas são mandadas e aceitam de boas coisas até absurdas? Isso já te incomodou? Já pensou “eu não sou assim, não” ao jogar/ ver/ ler algo que se diz “voltado para o público feminino”? Sim? Então estamos juntas! Não? Então me deixe te amostrar o porquê de você ter que se incomodar.

Temos mais de mil exemplos de conteúdos diversos que repetem o mesmo erro: não representar as mulheres como devemos ser representadas. O que isso quer dizer? Venha refletir comigo:

Um jogo que tem uma heroína ninja com uma espada fodástica, que sabe lutar (ela é ninja então sabe lutar) e que não faz nada além de esperar que os garotos a salvem mesmo em situações que ela pode lidar sozinha por saber lutar.” — heroína de Destiny Ninja 2.

Um anime que tem uma heroína super fofa (ideal japonês para mulheres), mas que é burra (desculpem, mas não tenho palavra melhor para descrever a mentalidade) e não faz nada além de chorar ou ‘babar’ pelo garoto que ela gosta, o qual normalmente é um típico ‘deixa-que-eu-te-protejo-porque-esse-é-o-dever-de-um-homem’ independente de ele ter uma personalidade legal ou não.” — quase todos os animes shoujo que já vi na minha vida.

Um jogo na qual sua heroína é uma mulher (tem mais de 20 aninhos!), inteligente e bem sucedida profissionalmente. Em algum momento da rota, ela é puxada pelo braço por um cara que finge ser o namorado dela (ela concordou sobre esse fingimento, então sem problemas) e a justificativa deste é “eu sou namorado dela” (mesmo que de mentira) e a heroína, já mulher, faz...nada. E simplesmente vai, com cara de espantada e nem reclama.” — heroína de Love Tangle [SPOILER — passe o mouse para ver] >> na Main Story do Andrea.

Então, se identificaram com alguma dessas heroínas na situação que descrevi acima? Em outras situações elas podem ser bem representadas como personagens femininas. Mas nessas elas não são. E esta falta de representatividade não-nociva está espalhada em filmes, livros, mangás, revistas, HQs, jogos, animes, seriados, etc.

Vamos pensar: “Se é supostamente voltado para o público feminino, então porque suas mulheres não são representadas da forma certa?”. Alguém achou a resposta? A única que eu vejo é que a representação feminina usada é uma representação feminina machista, o que faz com que essa representação seja errônea, pois ela sexualiza, fragiliza e inutiliza as personagens mesmo elas tendo potencial para serem representadas da forma certa.

Mas então tem problema ela ser fofa?”, você me pergunta. Claro que não! Ela pode ser sexy, pode ser fofa, pode ser lerda, pode ser ágil. Ela pode ser qualquer coisa, mas qualquer coisa bem representada.


Questione-se: nas 99% das representações femininas onde elas são consideradas sexy, elas na verdade são sexualizadas? E nas representações onde elas são fofas, elas na verdade são inutilizadas e fragilizadas como se fossem quebrar com uma brisa? Se pergunte “por que garotas fofas de animes shoujo, quase nunca fazem alguma coisa útil, sem depender de garotos?”. Porque são fragilizadas e inutilizadas simplesmente por ser uma personagem feminina. E personagens femininas — no mundo da representação machista — devem ser fofas, sexys e inúteis.

“Ah, então se eles fizessem personagens femininas com a representatividade certa, só teríamos garotas com a mesma personalidade forte e nem fofa nem sexy?”. Eles padronizam todas as personagens femininas de uma forma horrorosa (mesmo que você às vezes ache que é normal), queridos. Mas não, não queremos personagens iguais, queremos personagens com suas personalidades, nuances, diferenças e representadas da forma certa. Garotas fofas que não dependam SEMPRE do carinha (ou de qualquer outro personagem). Garotas sexys que não tenham seus peitos e bundas em foco como se só isso fosse importante nelas. Garotas fofas, tímidas e inteligentes. Garotas sérias que não sejam feitas de monstros só por demonstrarem sua raiva (o que é normal em um ser humano) e não se apaixonarem pelo primeiro cara da esquina da escola (já vi isso em um anime).

Garotas que representem seres humanos, que fiquem com raiva, que se apaixonem, que sejam agressivas (não no sentido de incentivar violência), que se preocupam, que sejam fofas, que cometam erros. Eu não sei vocês, mas eu quero achar uma personagem feminina com a qual eu me identifique.
“Mas eu me identifico com a personagem fofa e sonhadora que idealiza o príncipe encantado. Tem algum problema?”. Nenhum problema nisso, porque ser fofa e sonhadora não é sinônimo de frágil e inútil. Só fazem parecer ser assim na representação machista.

"Você pode ser corajosa e ainda ser feminina.
Você pode liderar e ainda amar flores.
Mais importante.
Você pode ser uma rainha e ainda ser uma noiva."
— Kiera Cass, A Herdeira.

Enfim, o que quis com esse post, foi reclamar, mas também trazer para vocês essa reflexão sobre a representatividade. As estórias de jogos, animes, mangás, filmes, seriados e etc, só mudarão se nós nos incomodarmos! Se a maioria de incomodar! Eu não quero ser representada — em relação ao meu gênero — como ‘o sexo frágil’, o ‘sexo burro’, o ‘sexo objeto’, o ‘sexo que só serve para ser bonitinha no padrão social aceito e depois ser descartada’. Mesmo que as estórias não digam isso explicitamente, elas fomentam esse tipo de ideia subconsciente. E ideias subconscientes são refletidas em ações dos mais diversos tipos.

Ex¹.: o branco que diz não ser racista (conscientemente, ele não o é), mas faz piadas racistas ‘sem perceber’.
Ex².: o homem que diz que não é machista por não ver problema nenhum em mulheres dirigirem, mas assedia mulheres na rua com aquilo que chamam de ‘cantada’.

Então, por favor, reflitam e questionem! Pesquisem se estiver com dúvida, falem sobre isso com amigas e amigos (sim, os meninos são importantes nessa luta), se perguntem se a personagem está sendo um objeto ou se está representada como um ser humano.

Neste ano de 2017, use o Dia Internacional da Mulher para fazer algo de verdade ao invés de só dizer "feliz dia da mulher" ou "uma rosa para uma rosa"! Não faça igual muitas pessoas no ano passado: reclamaram horrores do ano inteiro, mas não moveu uma palha sequer para melhorá-lo.

Por fim, esse assunto é muuuito extenso, mas tentei resumir de uma forma que se encaixe na proposta do título do post.

Espero que leiam, coloquem em seus corações e levem para a vida toda.

¹coloco biologicamente para não excluir o caso dos transsexuais no qual não há concordância do sexo psicológico e sexo biológico/corporal da pessoa. Nos casos em que há concordância do sexo psicológico e biológico/corporal são chamados de cissexuais.

Até!

10 comentários:

  1. Wow, um dos melhores posts que vi por aqui. Obrigada por falar sobre muita coisa que esteve entalada na minha garganta há um tempão. Hoje em dia eu percebo que determinadas pessoas têm se atentado mais para certos pontos, mas, ainda assim, fazer esse tipo de esclarecimento é preciso (e muito!).

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  2. Ah!! Que bom que gostou!
    Sinceramente estava com receio de fazer postagem com essa temática por causa do tipo de recepção que normalmente se tem. Mas é algo necessário, que precisa ser comentado, esclarecido e 'cutucado'.
    O que vejo acontecer é o seguinte: a mídia começou a falar sobre, as pessoas veem, quem se interessa procura alguma coisa sobre; mas a maioria só fica com as distorções e meias palavras da mídia, logo não consegue contextualizar nem tem vontade de refletir sobre. Muitos preferem ficar na posição de 'chefão da cadeia alimentar' esquecendo dos outros que sofrem com isso. E aí vem dizer que é 'mimimi feminista'. Outros, por sua vez, encontram a liberdade com o conhecimento e trabalham, às vezes, para libertar outros.
    Espero que a mensagem correta chegue aos ouvidos certos para podermos revolucionar <3

    Obrigada pelo comentário :3

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    1. Entendo perfeitamente seu receio, eu também sinto isso (sobretudo em redes sociais).
      Exatamente! Creio que a temática, após maior exposição da mídia, acabou sendo atribuída de uma significação vaga. O conhecimento fornecido por essa via é raso, e logo muitas pessoas acabam por ter um breve contato com o movimento tirando conclusões precipitadas (como o lance do "mimimi", usar esse troço é tão infantil. Antes eu ficava cismada ao ver algo do tipo, mas hoje em dia chego a rir). Por isso fico muuuuuuito reticente quando algo se massifica, mas, por outro lado, é importante que as pessoas se conscientizem. Ainda que o pontapé inicial surja de uma via não tão adequada, como a midiática, o que conta mesmo é buscar o aprofundamento naquele conhecimento, coisa que nem sempre as pessoas fazem, infelizmente.
      Também espero!

      E obrigada por responder! <3

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    2. Concordo com tudoo!! É como dizem "tudo tem um lado bom e um lado ruim". Temos que conviver com os prós e os contras.

      De nada ^^

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  3. Eu gostei muito do poste e exatamente o que eu acho!eu gosto de Diabolik Lovers e um anime muito bom mais a protagonista e muito lerda eu odeio ela por que os meninos fazem o que quer com ela e ela n faz nada chega a dar uma raiva!e tem varios exemplos de personagem de anime/manga que e mulher e e uma inutil espero que nessa nova temporada eles mudem a personalidade dela :v

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    1. Nossa, você falou exatamente sobre o que eu estava pensando. A protagonista (que esqueci o nome) sempre age como uma inútil, ela não parece uma pessoa,ela parece uma marionete que não tem vontade própria ou emoções reais e só serve como marmita para os caras. O pior é que isso se repete constantemente em outros animes, filmes, jogos,e etc. Outro bom exemplo disso são as hq's, repare na roupa/uniforme dos homens elas são bonitas e aparentemente confortáveis para o trabalho deles,e a das mulheres? É aquele pedacinho de roupa que as deixa quase peladas é super justas,não que eu esteja contra quem usa esse tipo de roupa mas sinceramente não vejo essas roupas como adequadas para o trabalho delas (serve apenas para sexualizar a personagem). As vezes fico revoltada pois a sociedade nos julga como "livres" e "iguais" mas isso só na teoria porque na prática...
      Quando lutamos pela igualdade de gêneros não queremos ser melhor do que os homens, queremos ter os mesmos direitos, mesmas oportunidades, mesmas responsabilidades e RESPEITO coisas que a nossa sociedade precisa enxergar.

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    2. Friska Bunny eu até hoje não criei coragem para ver Diabolik Lovers. O bom é que entendo a problemática desse tipo de anime (baseado em Visual Novel). Porque a estória original é de Visual Novel, logo , quem faz as escolhas é você e isso que molda a personalidade da protagonista. Colocar isso em um anime dificulta em relação a personalidade da personagem protagonista. Mas não considero isso motivo para deixarem a heroína tão insuportável como se fosse um ser sem cérebro. Por isso acho difícil 'mudarem' a personalidade dela na segunda temporada, mas nada é impossível:)
      Isto de protagonista inútil também acontece com o anime Amnesia (que tem uma estória maravilhosa), mas não deixa uma impressão tão ruim porque não tem a ver com a temática adotada no Diabolik Lovers (agressão, violência, sadismo, masoquismo).

      Que bom que gostou do post.
      Obrigada pelo comentário <3

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    3. I'm Batman: eu não gosto de HQs, mas é algo que conhecemos desde criança porque massificam americanização para nós. Para mim, a sexualização em HQs é feita de forma ocidental (segue os padrões ocidentais), então as garotas são do tipo físico 'gostosa' com roupas supercoladas e/ou minúsculas. Já nos animes/mangás acontece de forma oriental (segue os padrões orientais) então as garotas são peitudas com minissaias super fofas, tímidas e inúteis.
      Perceber isso é interessante, porque são padrões totalmente diferentes mas que possuem o mesmo objetivo.
      A roupas de personagens femininas em HQs nunca fará sentido na vida de ninguém, porque não tem a ver com o que elas fazem (correr, pular, dar chute e soco, usar poderes e sla mais o que).
      O machismo faz questão de dizer 'mas vocês são livres' só que na realidade nos amarram com cada vez mais coisas e muitas de forma mais sutil que te trancar em casa.
      Os únicos que dizem que feminismo luta para fazer mulheres serem superiores aos homens, são os machistas. Não concordo com a parte de "lutarmos para ter as mesmas responsabilidades", porque queremos na verdade é não ter imposição de responsabilidade como se só aquilo fosse permitido para você por ser mulher. Sinceramente, jogam muito mais responsabilidades nas costas das mulheres do que nas dos homens, então não queremos mais responsabilidades e sim direito de não serem impostas e delimitadas por causa de gênero. De resto, concordo com tudo :3

      Obrigada pelo comentário <3

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  4. Nossa moça, você disse tudo que eu penso. Me irrita muito a personalidade que colocam nas personagens femininas nos animes (principalmente os de harém). Nossa me irrita de mais. Eu sei q muitos desses animes são baseados em feitiches e tal e é pra você se imaginar "no lugar" da personagem principal. Mas nossa, tem vezes que irrita de mais a inutilidade/burrice dessas personagens. O pior é que isso acontece em vários gêneros diferentes, sabe? Em muitas vezes ou a personagem é toda fofa e não faz nada além de ter q ser salva ou então tem atitude mas é totalmente sexualizada. Arrrrgg!!! No anime Ao no Exorcist tem uma personagem q eu gosto muito. Só que ela é exatamente sexualizada. Tipo, pra você ter a ideia a roupa dela é um bikini. Eu ficava pensando "miga, como você consegue simplesmente sair por aí de bikini, você não sente frio não é???". E tipo, ela tinha uma personalidade q eu gostava de mais e a sexualizadação dela me irritava muito. Em cenas de luta em vez de focarem nos golpes dela ou coisa do tipo, ficavam dando um monte de closes na bunda ou nos peitos dela. Isso é muito ruim, pq ela era muito mais q bunda e peitos. Nós (meninas e mulheres) somos muito mais que isso que retratam na ficção.

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